Notícias

Líder de grupo quilombola chama catarinenses de “nazistas” e reacende polêmica em Florianópolis

Na última semana, um vídeo publicado pelo ex-deputado estadual Bruno Souza voltou a repercutir a polêmica envolvendo a derrubada de árvores exóticas no Parque Estadual do Rio Vermelho, no Norte de Florianópolis. Além de criticar a intervenção ambiental, Souza afirmou ter recebido áudios atribuídos a uma das lideranças do grupo responsável pela ação, nos quais são feitas declarações polêmicas sobre o estado, os catarinenses e o governador Jorginho Mello (PL).

Segundo o ex-parlamentar, as gravações chegaram até ele após a divulgação de vídeos que mostravam a retirada da vegetação na unidade de conservação. Nos áudios, a líder de quilombo orienta integrantes do grupo a não atacarem o vereador Bericó (PL), um dos principais críticos da intervenção, nas redes sociais.

De acordo com a gravação, a justificativa seria a de que os apoiadores do vereador “rastreiam perfis, localizam parentes pelo sobrenome” e passam a importunar familiares. Durante a fala, ela se refere aos opositores como “um grupo de nazistas”.

Na sequência, a interlocutora amplia a declaração e afirma que Santa Catarina é “um estado muito racista” e que há “muitos nazistas” no estado. Ela também faz críticas ao governador Jorginho Mello, classificando-o como “totalmente autoritário e nazista”.

As declarações repercutiram nas redes sociais e voltaram a acirrar o debate em torno da intervenção realizada no Parque Estadual do Rio Vermelho, que já vinha sendo alvo de críticas e manifestações favoráveis e contrárias à retirada das espécies exóticas. Procurada pela imprensa, a líder quilombola não rebateu o conteúdo, mas ameaçou acionar a Polícia Federal e a Defensoria.

Foto: TVBV Online.

O grupo responsável pela intervenção é formado por cerca de 30 famílias que se autodeclaram quilombolas, descendentes de escravizados libertos em Florianópolis no fim do século XIX. A comunidade teve reconhecido um território de aproximadamente 961 hectares, o que seria equivalente a cerca de 961 campos de futebol. A área está localizada no norte da Ilha de Santa Catarina, dentro da área do Parque Estadual do Rio Vermelho.

A menção ao governador Jorginho Mello (PL) feita nos áudios ocorre em um contexto relacionado à política estadual. Em 2026, o chefe do Executivo sancionou a Lei nº 19.722, que proibiu a adoção de cotas raciais em instituições estaduais de Santa Catarina. Posteriormente, em abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a norma inconstitucional.

Embora a legislação e a decisão do STF sejam fatos públicos, a classificação do governador como “nazista” representa uma opinião expressa pela autora da gravação, sem respaldo em decisão judicial ou fato comprovado.

Nos mesmos áudios, a líder também afirma que candidatos beneficiados por cotas teriam sido prejudicados em um concurso público. No entanto, ela não apresenta nomes, dados ou processos que comprovem ou dimensionem a alegação.

Compartilhe

Rolar para cima