Notícias

Dados do IBGE: Proporção de crianças com celular cai pela primeira vez; segurança e privacidade são os motivos mais citados

Pela primeira vez desde o início da série histórica em 2016, a proporção de crianças brasileiras que possuem telefone celular registrou queda. É o que apontam os dados do módulo de tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira, dia 2 de julho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo foi identificado especificamente na faixa etária de 10 a 13 anos.

De acordo com o levantamento referente ao ano passado, 55,2% dos brasileiros nessa faixa etária possuíam um aparelho celular, representando uma redução de 1,5 ponto percentual na comparação direta com o ano anterior. Entre os fatores que explicam esse cenário, os pesquisadores apontaram a mudança de comportamento dos pais e responsáveis: a preocupação com privacidade e segurança digital saltou para o topo da lista de justificativas para não dar o aparelho aos filhos, sendo mencionada por 32% dos entrevistados — um crescimento expressivo de 7,8 pontos percentuais em relação a 2024. Há alguns anos, os principais motivos eram o preço alto do eletrônico ou a percepção de falta de necessidade.

A tendência de maior controle parental coincide também com medidas de restrição aos celulares nas escolas implementadas recentemente e com uma sutil diminuição no acesso geral à internet nessa mesma faixa de idade, que oscilou de 84,9% para 84,4%. Enquanto as crianças e pré-adolescentes demonstraram esse recuo exclusivo, o restante da população brasileira manteve a trajetória de expansão tecnológica. O uso geral da internet no país subiu para 90,5% e a posse de celulares atingiu 89,8% dos habitantes.

Inclusão dos idosos e novos hábitos digitais

Em contrapartida à proteção da infância, a pesquisa do IBGE evidenciou uma forte aceleração na inclusão digital da terceira idade. O percentual de idosos (pessoas com mais de 60 anos) conectados à internet avançou significativamente, atingindo 74,5% do grupo — uma alta de 4,4 pontos percentuais frente ao ano anterior e um salto de mais de 29 pontos quando comparado aos patamares de 2019. Paralelamente, o índice de idosos com celular próprio subiu para 80,3%.

Especialistas do instituto destacam que a migração em massa de serviços essenciais para as plataformas virtuais tem atuado como o principal impulsionador para os mais velhos superarem as barreiras de aprendizado. Essa transformação nos hábitos da população em geral também se reflete nas transações comerciais e bancárias: o acesso a bancos e instituições financeiras por meios digitais chegou a 74,2% dos usuários, e, de forma inédita, mais da metade dos brasileiros conectados (52,7%) declarou realizar compras ou encomendas de bens e serviços de forma online. Entre as atividades favoritas no ambiente virtual, chamadas de voz ou vídeo lideram com 95,3% de preferência, seguidas pela troca de mensagens por aplicativos e pelo consumo de vídeos e séries.

Jornalismo Clube FM 101,1
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Marcelo Lucini
DRT/SC 1797

Compartilhe

Rolar para cima